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Aldeia “Campo do Gerês”

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Curiosa aldeia, situada a 15 km de Terras de Bouro, em pleno Parque Nacional da Peneda-Gerês, Campo do Gerês é também conhecida como São João do Campo. É uma aldeia tradicional, com ruas estreitas e casas de granito, que alberga o Museu Etnográfico de Vilarinho das Furnas, o qual pretende preservar a memória da povoação submersa pela construção da barragem com o mesmo nome, em 1972. Rica em tradições e com magníficos exemplares de arquitectura popular, como eiras, espigueiros e moinhos, a aldeia fica junto à impressionante Mata da Albergaria, no coração do Parque Natural. A estrada que liga Campo do Gerês às Caldas do Gerês, cruzando a serra, oferece panoramas inesquecíveis. Nos arredores, há uma ponte romano-medieval e um marco miliário da antiga via romana Braga-Astorga, transformado em cruzeiro.

Antiga paróquia medieval, padroado real e, talvez pelo seu orago protector S. João Baptista, foi considerada por clássicos como comenda dos Cavaleiros do Templo. Nos tempos medievos, integrou-se S. João de Campo na circunscrição administrativa da “Terra de Bouro”, que segundo as Inquirições de 1220 aglutinava cerca de 70 freguesias.

Trata-se de um território de importância histórica constatada pela sua posição excêntrica e raiana, pelas suas tradições comunitárias arcaicas e pelas suas antiguidades arqueológicas. Situada na margem esquerda do rio Homem, em plena Serra do Gerês e no extremo NE do concelho de Terras de Bouro, confronta com a não menos antiga paróquia de Covide, com o concelho de Ponte da Barca e com a vizinha Galiza. Templário ou não, é povoado antigo com certeza porquanto são inúmeros os achados que testemunham uma arcaica, persistente e contínua ocupação humana do seu território, desde tempos pré-históricos até hoje, como evidenciam os túmulos megalíticos, também conhecidos por mamoas da Bouça da Chã, de Fundevila e da Bouça do Cruzeiro, ou como testemunha o Castro de Calcedónia.

Instalado na vertente sudoeste do relevo da Picota, a uma altitude média de 630m, o lugar do Assento, principal núcleo populacional da freguesia de Campo, apesar dos excelentes exemplares de arquitectura rural de montanha que ainda exibe, encontra-se já bastante alterado na sua malha original. Iniciou-se aqui, nas décadas de setenta e oitenta, como aliás no resto do país, a vaga de construção menos tradicional, constituindo uma alteração sentida quer ao nível dos materiais, estrutura e volumetria, quer na implantação dos edifícios, extravasando estes, por vezes, os limites interiores do tecido do povoado, ocupando lenta, mas inabalavelmente, terrenos de cultivo ou bosquetes marginais à estrada. Aqui e ali, ainda se descortinam, por entre os arruados estreitos, alguns canastros com as suas cruzes cimeiras, ou algumas varandas com madeiramentos costumeiros, abertas ao logradouro.

Pertenceu à comarca de Viana e depois à de Pico de Regalados, anexada ao concelho de Amares, pela supressão de Terras de Bouro, em 14 de Agosto de 1895, voltando a este após a sua restauração, em 13 de Janeiro de 1898.

Dista da sede do concelho 15 km. Formalmente é chamada de Campo do Gerês também é conhecida por Assento ou S. João de Campo.

Campo foi abadia do padroado e pertenceu aos Templários. Noutros tempos, na véspera e no dia de festa a S. Bartolomeu organizava-se uma procissão na qual participava todo o concelho com todas as suas autoridades. Compareciam todas as cruzes das freguesias do concelho, seguindo para a ermida de Vilarinho, regressando, depois, ao Campo.

Freguesia bem montanhosa, situada nos contrafortes oeste da serra do Gerês e sul da serra Amarela, Campo do Gerês, ou S. João do Campo, como é mais comummente conhecida, é fortemente marcada pelas duas montanhas e pelo curso inicial do rio Homem.

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Vilarinho das Furnas

A ela pertencia a povoação de Vilarinho da Furna, que já existia no tempo de D. Sancho I e que teve foral em 1218, submersa pela barragem do mesmo nome, onde subsistiram até à sua destruição mudanças antigas de regime comunitário – delas apenas resta a existência do forno comum e das vezeiras ou pastoreio comum. Nos dias em que a barragem está vazia (o que só acontece quando é preciso limpá-la), ainda é possível ver as ruínas das velhas casas de pedra de Vilarinho da Furna, paisagem desoladora e de uma solidão absoluta.

As águas represadas pela barragem atravessam a serra do Gerês num túnel com milhares de metros de comprimento, indo mover as turbinas situadas em Vilar da Veiga e aumentar depois o caudal da Barragem da Caniçada.

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Barragem da Caniçada

Por todo o lugar se encontram restos de construções romanas, alguns padrões da época (a Leira dos Padrões ainda hoje guarda o nome), uma ponte com belos corta-mares e, no cabo da veiga, o sítio chamado Casa da Guarda, com vestígios das fortificações que serviram para recolher as sentinelas dos povos de Bouro, que aqui guardavam incessantemente as fronteiras. E as belas paragens da Geira, a estrada romana, mais os seus marcos miliários, conjunto emoldurado por íngremes rochedos — alguns deles, como é o caso do Castelo, cerca da Portela do Homem, assumindo aspectos curiosos.

Na área da freguesia, num cruzamento de estradas, encontra-se sob um rústico alpendre um velho cruzeiro cujo pilar é constituído por um marco miliário epigrafado encimado por um Cristo de pedra em cruz ocre. Este conjunto é albergado por uma estrutura metálica por fora e forrada em madeira, assente em três pilares de pedra.

Nesse entroncamento foi construído o Museu Etnográfico de Vilarinho das Furnas, enquadrado num espaço verde e amplo que leva à reflexão. Esse museu foi feito pela Câmara de Terras do Bouro nos anos 80 com pedras retiradas da aldeia submersa.

Lá dentro podem ver-se instrumentos antigos de lavoura e artesanato e também pode obter alguma informação relativa a Vilarinho das Furnas. Junto ao museu, podem ver-se alguns espigueiros.

A Igreja matriz de Campo do Gerês, que teria sido edificada com materiais remanescentes do templo anterior, apresenta sobre a sóbria fachada, ao centro, um pequeno campanário e nas empenas tem as cruzes floreteadas da via sacra. Dentro, além do altar-mor, tem os colaterais de Nossa Senhora do Rosário, do Coração de Jesus, de Jesus Crucificado e o de Nossa Senhora de Lurdes.

A igreja foi construída em 1718 e no seu telhado pode encontrar-se um relógio de sol. É de características simples tendo forma quadrada. Ainda possui o ponteiro completo, que vai do centro do círculo de marcação das horas, até à base.